Ao abrir a porta o rangido se ouvia,
A idade daquela é longa.
Sobreviveu por chuvas,
Fortes ventos e muito sol.
Lembro dos meus risos como criança,
Do requinte dos detalhes,
Do cheiro do fogao a lenha,
Da velha e doce negra e seu tacho de cobre.
Muitos por ali passaram.
Quando vila era casa.
Quando casa era alegria
Quando alegria, aconchego.
Mas veio o silêncio
E com o silêncio, mais silêncio.
Até que nada se ouvia.
Era o tempo.
Como deixar o tempo passar e calar o sentir?
Como deixar as lembranças virarem silêncio?
Na vida, nada fica, exceto a sensação de existir,
É a percepção dos momentos.
Assim, a antiga agora é nova.
O silêncio, emoção.
E a velha casa,
Pousada.
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